Toshi wa Yume
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[Naruto] A bibliotecária - Cap08

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1 [Naruto] A bibliotecária - Cap08 em Seg Jul 25, 2011 6:32 pm

Shiroyuki

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Morador Ancião
Capítulo 8 - Perda

Toda a emoção da festa de horas atrás havia sumido completamente. Tudo o que Hinata podia sentir agora era que havia passado a vida toda sentada nesse mesmo banco, vendo apenas a parede verde-água e as pessoas de branco indo e vindo.

— Eu trouxe para você – Naruto sentou ao seu lado, estendendo uma lata de chocolate quente para Hinata, e abrindo uma para si.

Ele bebeu um pequeno gole, sem sentir realmente seu gosto. Não encontrou palavras para iniciar uma conversa, ou para agradecer Naruto por estar com ela nesse momento. Sabia que ele deveria estar se sentindo desconfortável, nesse lugar, com tanto silêncio, mas simplesmente sua mente se tornara uma sala vazia, em branco.

Quando ela menos esperava, sentiu um abraço quente e reconfortante. Naruto a puxara para si, apoiando o queixo no topo da sua cabeça, e deixando que ela escondesse o rosto no seu peito, molhando a camisa com as lágrimas. Ela se aninhou, deixando toda a culpa e tristeza que sentia esvair-se pelos olhos.

— Ah! Naruto! Você está aí! - uma mulher alta, de feições joviais e cabelos vermelhos compridos disse, aliviada, no início do corredor. Hinata levantou a cabeça, sobressaltada, secando os olhos rapidamente. A mulher sorriu fracamente, lançando um olhar carinhoso para Hinata.

— Então você é a Hinata, não? Eu sou Uzumaki Kushina, mãe do seu... amigo. Sinto muito ter que conhecê-la assim, Naruto fala muito sobre você... na verdade, o tempo todo, chega a ser irritante às vezes e...

— Mãe!

— Oh certo...! Você está precisando de alguma coisa, querida? – ela voltou o olhar cálido novamente para a garota, acariciando o topo da sua cabeça como Naruto fazia às vezes, no entanto, a sensação era um pouco diferente. Naruto a fazia se trêmula, mas também quente e segura. O toque de Kushina era confortador, aconchegante e carinhoso. “Como o toque de uma mãe deve ser....”

— E-eu estou bem... – ela apressou-se em dizer, secando uma última lágrima que fugia – eu v-vou... até o banheiro, c-com licença...

— Como está a situação? – Kushina perguntou para o filho, sentando no banco ao seu lado, assim que Hinata sumiu no fim do corredor.

— A irmã dela está na UTI, e respira por aparelhos. O pai está agora fazendo uma cirurgia, e corre risco de vida.

— Mas... o que eles estava fazendo?— O pai dela descobriu que ela havia ido a uma festa, e saiu correndo para procurá-la. A irmã tentou impedir, e foi junto. Ele ultrapassou um sinal vermelho, e vinha vindo um caminhão... e.. bom, foi perda total... tudo o que sobrou do carro cabe numa caixa de sapatos.

— Entendo... Seu pai foi conversar com os médicos, logo estará aqui. Você sabe alguma coisa sobre a mãe dela?

— Mora no exterior, e a gente não conseguiu entrar em contato de maneira nenhuma... Hinata acabou de mandar um e-mail, estamos esperando por uma resposta.

— Me dê o contato dela. Eu vou tentar! – ela levantou do banco, agitando as mãos febrilmente. Naruto a alcançou uma pequena folha de agenda, com um número de telefone e endereço anotados, e ela seguiu a passos duros pelo corredor.

Hinata voltou, silenciosamente, depois de alguns segundos, sentando no banco. O único ruído que se ouvia no corredor agora vazio eram os pés de Naruto batendo ritmadamente no chão. Devia ser quase de manhã agora. A garota encolhia-se em cima do banco, tremendo levemente mesmo estando com o pesado casaco laranja berrante de Naruto. Ele já estava abraçado a ela novamente, sentindo seu pequeno corpo inseguro e vacilante. Ela não conseguia esboçar reação alguma, nem mesmo constrangimento por estar tão perto de Naruto. Tudo o que ela sabia era que aquele abraço a trazia segurança, e qualquer outra coisa era mero detalhe.Um homem aproximou-se, sentando ao lado de Naruto. Era quase uma versão aumentada e levemente envelhecida do garoto apesar de ter feições mais tranquilas. Os mesmos cabelos rebeldes, os olhos azuis penetrantes.

— Olá, Hinata. – ele disse, sorrindo calmamente para ela, ao notar seu olhar insistente e curioso. Ela se encolheu no colo do garoto, ao ouvir seu nome ser chamado tão casualmente. Naruto havia mesmo falado dela tanto assim, a ponto de a reconhecerem pelo nome? – eu sou Minato, pai de Naruto. É um prazer finalmente conhecê-la, apesar da situação.

Hinata acenou brevemente com a cabeça, voltando a deitar a cabeça no ombro de Naruto. Não tardou para que ela começasse a dormir ali mesmo, ressonando delicadamente. O loiro afagava os cabelos escuros e bagunçados dela lentamente, apreciando sua face adormecida. Tudo nela lembrava uma pequena e frágil boneca de porcelana, e Naruto sentia a esmagadora vontade de privá-la de tudo o que ela deveria estar sentindo agora, e que vazava pelos olhos avermelhados e fechados, e escorria pela face branca.

— Com licença – uma voz grave e séria ecoou no estreito corredor. Parecia cansado, e trazia uma expressão dura e ininteligível – você é responsável pela garota? – perguntou para Minato, referindo-se a Hinata, que ainda dormia alheia a tudo.

— Sim – ele disse, levantando-se e aproximando do médico.— Não conseguimos salvar o Sr. Hyuuga. Ele não resistiu à cirurgia. Eu sinto muito, mas as perfurações no pulmão eram profundas e ele perdeu muito sangue – ele anunciou, num tom de voz impassível - a garota permanece em estado vegetativo.

— Entendo – Minato disse, com os olhos marejando, ao tentar imaginar como daria essa notícia para a pequena garota – Naruto! – ele voltou para o filho – vamos levá-la para nossa casa. Espere aqui, vou chamar sua mãe.Minato saiu, e logo voltou com Kushina ao seu lado. Ela trazia uma expressão carregada, nada característica. Naruto ergueu Hinata facilmente, segurando-a como princesa, e caminhou lentamente atrás dos pais. Aquele dia que estava se iniciando não seria nem um pouco ensolarado, apesar do fato de não haver nuvem alguma no céu.





-




Hinata abriu os olhos, sentindo a confusão mental que sempre acompanha o despertar. Sua mente girava, em desordem, forçando-a a lembrar de tudo o que ela queria esquecer. Sentou-se na cama, olhando para todos os lados. Não reconhecia aquele quarto.Era grande, apesar de ter apenas o essencial em móveis.

As paredes branco-puro contrastavam fortemente com o laranja berrante da maior parte da decoração e os toques de azul marinho aqui e ali. Hinata nem precisou pensar muito para concluir a quem pertencia o quarto. E corou muito ao raciocinar sobre o assunto. A presença dele estava impregnada em tudo por ali. E seu cheiro, presente no edredon laranja xadrez fazia o nariz de Hinata formigar de uma forma terrivelmente agradável.Mas logo, tudo o que havia acontecido voltou a sua memória. E ela não podia se permitir, e nem mesmo conseguiria, ficar minimamente feliz. Levantou, relutante, da cama quentinha e confortável, e olhou pela janela. O sol alto indicava que ela havia dormido durante a manhã inteira e parte da tarde. Mirou o espelho que estava posicionado na parede ao lado, assustando-se com a figura refletida. O vestido, cheio de babados estava amassado, a meia-calça havia desfiado em mais de uma parte, seu cabelo, que havia sido cuidadosamente ondulado, parecia um enorme ninho de pássaros e a maquiagem borrada a fazia lembrar remotamente um panda preguiçoso.

O ruído da porta sendo aberta lentamente ecoou fraco pelo silêncio do quarto. Hinata sobressaltou-se, como se estivesse invadido o quarto sem permissão. Na verdade, era assim que ela se sentia nesse momento, uma invasora, afinal, não lembrava de ter sido convidada, e não vira nenhum morador da casa até agora.

— Ah! Hinata-chan! Você acordou – Uma voz atenciosamente animada e controlada pode ser ouvida. Hinata esboçou um pequeno sorriso para a mulher, que reconheceu como a mãe de Naruto. A ruiva sorria cordialmente, segurando uma pilha de roupas – Suponho que queira um banho... aqui, roupas limpas para você. O banheiro é naquela porta logo ali – ela estendeu a pilha para a garota, e apontou para a porta de madeira que se destacava na parede branca mais afastada – Fique à vontade.

— Obrigada – Hinata disse, sincera, rumando para o caminho indicado logo depois.Tomou um banho rápido, ainda sentindo-se estranha naquela casa. Vestiu um calção jeans, que ficava em parte encoberto pela enorme camiseta branca com um desenho de uma raposa alaranjada na frente. Amarrou os cabelos úmidos em um rabo de cavalo, e a franja no alto, com um grampo que estava em seu cabelo antes.

A garota andou, sentindo-se tonta e perdida, pelos longos corredores da casa, até encontrar Kushina sentada em uma mesa na cozinha. Ela tinha um olhar parado e sem brilho que, pelo pouco que Hinata observou na mulher, não combinavam em nada com sua personalidade usual.

— Ah! Hinata! – ela forçou um grande sorriso para a garota parada na soleira – deve estar com fome, eu vou preparar alguma coisa para você – ela se levantou num salto, arrumando alguma comida.

— Como estão meu pai e minha irmã? – Hinata perguntou, diretamente, enquanto sentava.

— Sua irmã permanece em coma – Kushina respondeu com a voz falha, tentando adiar ao máximo aquele momento.

— E o meu pai...? – Hinata voltou a perguntar, sentindo um nó na garganta surgindo, sem saber ao certo o motivo.

— Ele... bem... – Kushina continuou de costas, sentindo que aquela era uma das raras vezes em que perdia as palavras. Sua voz embargou, e lágrimas quentes escorreram pelo seu rosto, sem que ela notasse – ele não... resistiu, querida.Hinata demorou alguns segundos para assimilar a informação. Ele não resistiu... isso significava que.. ele...

— Meu pai... – Hinata balbuciou, com lágrimas novas acompanhando as de Kushina – meu pai... morreu? Ele.. não pode...

— Ah! Hinata-chan! – Kushina queria aninhar Hinata em seu colo, como fazia com Naruto quando ele era menor, mas não sabia se seria adequado. A garota permanecia imóvel, com o olhar parado, e a ruiva não sabia o que fazer.

— Hina-chan! – Naruto entrou na cozinha como um raio, jogando as compras que tinha nos braços num canto. A visão de Hinata chorando fazia seu coração latejar dolorosamente. Num instante, ele já estava com ela envolta num forte abraço, com o queixo apoiado no topo da sua cabeça. Hinata sentiu o abraço familiar, e deixou-se apoiar, soluçando cada vez mais, à medida que as lágrimas caiam como cascatas no rosto de porcelana.

— N-naruto-k-kun – ela murmurou quase inaudível, em meio aos soluços – n-não me deixe... não me deixe você também! – ela apertou o casaco de Naruto com força, até os nós dos seus dedos aparecerem.

— Eu jamais conseguiria fazer isso, Hinata – ele sussurrou, no seu ouvido – Sempre estarei aqui para você. Prometo.




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