Toshi wa Yume
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[Kitsune]Raposa e lobos cap01

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1 [Kitsune]Raposa e lobos cap01 em Qui Jul 28, 2011 5:36 pm

Inu-chan

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Morador Ancião
Capitulo 1

Mary
- O que? Onde estou? Q... Que lugar escuro, como vim parar aqui? – Não reconhecia a rua, nem sabia como havia ido parar naquele lugar, tudo deque tinha certeza era a confusão causada por minhas memórias, que não me forneciam nenhuma explicação do que estava acontecendo.
“Preciso descobrir que lugar é esse”, pensava comigo mesma enquanto caminhava e investigava por aquela rua escura onde havia somente um ou dois postes de luz acesos; cheguei ao fim da rua e procurava reconhecer algo do lugar onde me encontrava e não podia acreditar onde estava.
- Como pode ser?- Avistei uma placa num dos postes com luz, li a placa meio iluminada pela fraca claridade. –“Campus Lobos do Outono”, mas... - Fiz uma breve pausa, para poder manter o raciocínio. -Estou no colégio.
Ouvi um barulho e rapidamente me virei, tive impressão de que visualizar um vulto rápido da altura de uma pessoa, mas que aparentemente tinha algo como um rabo, arrepiei-me naquele momento, lentamente me virei para direção oposta a que vi a sombra desconhecida, e esquecendo as dúvidas do momento corri para o dormitório onde vivia.
Chegando ao dormitório subi para meu quarto e me envolvi num manto com as cobertas como se aquilo pudesse me proteger do que havia do lado de fora, deitei ainda envolta no manto e fechei os olhos talvez houvesse se passado alguns minutos até eu adormecer e apenas de manhã acordar.
Vários dias se passaram até que eu, Mary Knight Walker, pudesse agir normalmente ou quase.
- Mary! Mary! Acorde... Você esta atrapalhando a minha a aula. – Ouvia me chamar, entretanto sentia minhas pálpebras muito pesadas e tentei ignorar. - MARY! – Foi o último grito.
- Não fui eu! – Respondi acordando do sonho (onde me acusavam de algo). –Que aconteceu? –Sentia-me meio confusa para onde olhar enquanto perguntava.
- Senhorita Knight Walker se minha aula é tão chata a ponto de dormir nela, você não precisa assisti-la. – Disse o professor num tom irritadiço, porém meio sarcástico, enquanto eu esfregava os olhos numa tentativa de acabar com o sono que neles residiam.
- Me desculpe professor, não vai se repetir. – Abaixei a cabeça e com um bocejo e uma das mãos ainda esfregando os olhos, voltei minha atenção o livro e continuei a acompanhar a aula.
- Se você não fosse umas das minhas melhores alunas, botava-lhe para fora neste mesmo instante. – Encerrou o professor voltando-se para o quadro e passando a matéria, ignorando o ocorrido.
Após o incidente de ter acordado na rua do campus por mais que eu agisse normalmente não conseguia disfarçar o sono, por conta de um sonho que me assolava noite após noite.
Lembro de estar correndo em um lugar – provavelmente a rua onde acordei – totalmente escuro onde a única coisa que brilha são os olhos de uma fera que começa a me perseguir e aparenta ao mesmo tempo me analisar, mas não parece representar ameaça alguma, então, tropeço em alguma coisa enquanto corro e no momento em que estou para sentir o impacto da queda, acordo desorientada e suando frio sem saber o que fazer. Pesadelos, sonhos nunca interferiam de tal maneira em minhas noites de sono e o pior é que durmo nas aulas, por não conseguir repousar a noite.
Após as aulas comecei a andar pela estradinha que me levava até o refeitório.
- Como pode um simples sonho me impedir de descansar toda noite? – Sussurrava para mim mesma enquanto caminhava. Baixei minha cabeça pensando procurando uma resposta, e dando pequenos passos, tomando cuidado para não cair enquanto andava.
- Fox! – Ouvi alguém chamar. Não dei importância e continuei andando.
De repente uma mão chegou ao meu ombro e cortando meu raciocínio me revelou alguém que já conhecia, de cabelos louros claros quase prateados e olhos azuis reluzentes da cor do oceano, com brincos pretos de argolas pequenas, praticamente grudadas na orelha.
- Kira? – Perguntei, mesmo já sabendo que era ele.
Uma pulseira de argola dupla no pulso esquerdo e outra normal de uma única argola preta. Não dava para ver, mas normalmente ele também usa algo semelhante a uma munhequeira de fios no tornozelo esquerdo, eu notava isso enquanto ele continuava o que tinha para dizer.
- Não me ouviu te chamando? – Fez uma expressão de falsa irritação.
- Pare de me chamar de Fox, então! – Retruquei
- Mas você ama raposas não é? – Perguntou fazendo-se de criançinha – Por que anda com a mente na lua? Você geralmente é a primeira a chegar às aulas, a terminar a tarefa, mas ultimamente anda tão avoada e dormindo em tudo quanto é aula até as mais improváveis.
- Nada vê! – Rebati.
- Como assim “Nada vê”? – Rindo de modo sarcástico enquanto falava. – Pode parecer que eu não noto o que acontece, mas sou muito atento quando é algo relacionado a você.
-Então ta! Senhor atento. Diga-me uma aula improvável na qual eu dormi! –Usei um tom sarcástico.
-Você dormiu durante o treino de salto em altura no momento em que caiu no colchão, após o salto. –Me encarou e continuou. –Na aula de culinária e química.
-Mas... –Tentei argumentar.
-Nada de “Mas”. –Interrompeu minhas palavras. –Você deveria descansar direito senão pode acontecer algo muito pior. –Ele me soltou um sorriso meigo, eu o olhei nos olhos quando falou e eu podia sentir meu rosto começar a esquentar pela vergonha que sentia na hora, dele ter mesmo fatos bem convincentes.
-Certo vou tentar descansar. –retornei o sorriso ainda com as maçãs do rosto rosadas.
O Kira aparece nas melhores horas, talvez realmente esteja atento aos detalhes, principalmente por ser bem cuidadoso com relação aos que o cercam, pelo menos é assim que ele tem sido desde que o conheci.
- Mary?
De repente senti uma pequena pancada na cabeça que me tirara do que estava pensando.
-Aargh! -Resmunguei
- Acorda e para de ficar viajando, vamos comer alguma coisa, eu nem jantei ainda. Vamos antes que eles fechem.
- Você adora comer não é Kira? – Perguntei meio que rindo.
- Você acha mesmo? – parecia não ter notado sua “admiração” por comida. – De qualquer forma vamos comer.
- Claro! –Concordei com a cabeça e o segui.


* * *

Chegamos ao refeitório aonde vimos um tumulto de garotas todas em volta de uma das mesas, elas pareciam agitadas como leoas prestes a atacar. Aproximamos-nos mais um pouco para verificar o que estava havendo. Um garoto de cabelos escuros de corte curto, mas não suficientemente curto para impedir que se pudesse prendê-lo apesar de não o estar fazendo, olhos meio prateados pendendo para o tom violeta, usava o que parecia ser uma coleira branca com detalhes em prata e larga em seu pescoço, e um brinco semelhante ao de Kira só que eram prateados, uma marca no lado esquerdo do rosto, em meio aquele tumulto se apresentava dizendo “muito prazer, meu nome é Kyros Dark Tail, e acabei de entrar no colégio, espero que cuidem de mim”, ele parecia ser gentil e muito sociável, porém Kira não parecia ter se convencido na apresentação rápida, deu meia volta e começou a me chamar:
- Vamos que eu ainda nem peguei na comida. –Seu tom parecia disfarçado tentando encobrir o nervosismo na voz. –Vai demora muito Fox?
- Já disse para parar de me chamar assim. –Repliquei com um falso rosnado.
- Então vem logo! –Ele parecia meio impaciente.
Por fim acabei indo com ele comprar algo para comer, entretanto antes dei uma ultima olhada no novo aluno que retribuiu o olhar com um sorriso meio suspeito e poderia interpretar aquilo como “nos veremos novamente”, somente não sabia se aquilo seria algo bom ou ruim.

Kira
No momento em que pus meus olhos em Kyros meu sangue ferveu, imediatamente fiquei irritado, como ele ousou vim para este colégio? Sabia que ele queria algo com Mary, mas não permitiria que se aproximasse já que sabia um pouco do que ele pretendia.
Pude notar uma ultima olhadela de Mary para Kyros que havia respondido com um sorriso que para mim indicara que logo iria fazer seu próximo movimento, também tinha certeza que o olhar que viera junto do sorriso era para mim, expressando claramente que era para não tentar impedi-lo.
Chamei Mary pela ultima vez já estava sem paciência, quando ela resolveu me acompanhar. No refeitório onde estávamos havia um Buffet onde pagávamos para comer a vontade, e nos momentos de fúria o que mais eu queria era comer. Mas em meio aquela comida não deixei passar a expressão cansada que minha acompanhante demonstrava.
- Você vai descansar direito essa noite? –Perguntei enquanto bebia um copo com suco, para facilitar a descida da comida.
- Vou tentar! –Respondeu ela com um sorriso meio torto.
- Nada de “vou tentar”, senão terei de ir até seu dormitório fazer você dormir. –Disse enquanto apontava-a com a faca. – Se você não descansar e ficar doente com quem acha que eu conversar e fazer dupla durante as aulas, hein?
- Certo vou dormir e amanhã nos vemos! –Levantou-se-a da mesa.
-Espere, deixe que eu acompanhe a senhorita até seus aposentos. –Brinquei fingindo uma voz de aristocrata, pelo menos o que eu achava ser a voz de um.
- Claro, eu agradeço meu cara senhor. –Ela se curvou como agradecendo enquanto fingia segurar um vestido. Olhou-me com os olhos virados para cima e deu uma risada curta, porém muito gostosa.
Acompanhei-a durante o trajeto enquanto conversávamos, já era noite a paisagem em volta ao caminho era numa escuridão que quase vencia as poucas luzes dos postes presentes sendo dominada somente pela luz transmitida pela lua cheia, estava um pouco frio, entretanto aquilo não me incomodava caso contrário ao dela que tremia um pouco enquanto envolvia seu tronco com os dois braços e os esfregava numa tentativa de se esquentar.
- Aqui. –Coloquei sobre seus ombros minha jaqueta do colégio, tentando de alguma forma aquecê-la.
- Obrigado. –Me retribuiu.
Não demorou muito mais até chegarmos ao seu dormitório.
-Então eu fico aqui. –Virou-se para mim. –Obrigado pela jaqueta, aqui está. –Estendeu ela me devolvendo.
- Não foi nada. E não se esqueça de descansar bastante.
- Pode deixar até amanhã.
- Até. –Nos despedimos com um abraço e ela entrou. Fixei por alguns instantes meus olhos no imenso dormitório de aparência rústica que parecia do século passado. Olhei para lua, esperei até uma brisa fria me atingir, ouvi um barulho e sem me virar somente direcionando meus olhos para a fonte do som.
- Vai ficar ai até quando? –Perguntei sério.
- Eta! Você me descobriu.
- O que você pretende vindo até aqui? Responda Kyros! –Rosnei
- Apenas analisar, e agir. –Estava assustadoramente calmo para alguém recém descoberto, se bem que ele não era de ficar nervoso ou preocupado.
- Foi ele quem mandou você aqui?
- Não, mas já o informei de tudo.
- O que você quer com ela? –Estava me irritando. –Espero que não seja nada perigoso.
- Não sei ao certo provavelmente só saberei quando realizar aquilo! –Falou sem emoção alguma.
- Maldito! Não ouse senão... –Já não conseguia me segurar então finalizei. –É bom que não faça nada ou terá alguns problemas entre nós dois. Eu vim para esse lugar para protegê-la.
- Não se preocupe tanto, se tudo der certo você poderá ficar com ela o quanto quiser.
Naquele momento ele desapareceu rapidamente como uma sombra no anoitecer.
Começou a chover uma chuva continua, contudo não forte. Corri boa parte do caminho até o dormitório masculino, na metade do trajeto gritei como se isso fosse o melhor para extravasar a raiva acumulada naquela noite, que a tão pouco estava ótima. Continuei o caminho andando, passava e repassava a conversa e as ultimas dele na cabeça. A chuva caindo e atingindo meu corpo era inevitavelmente boa para me esfriar e evitar qualquer descontrole erradico. Ao chegar fui até meu quarto entrei no banheiro e tomei um banho morno quase frio, me sequei e coloquei um pijama consistente de uma camiseta branca e uma calça de moletom azul escuro, joguei-me na cama e dormi profundamente para esquecer o ocorrido mesmo sabendo que isso não seria o suficiente para acabar com meus problemas, todavia pensei que naquele instante seria o melhor.


Mary

Não poderia esquecer o olhar irritado de Kira, o sorriso de Kyros e o ocorrido daquela noite, fiquei feliz por não esquecer e torci para que esses pensamentos ocupassem o lugar dos pesadelos me deixando dormir. Sai do banheiro – onde acabara de tomar banho e escovara os dentes – e entrei no quarto que parecia mais frio que o de costume por conta do calor que o banheiro apresentava depois do banho e da chuva que caia do lado de fora. Joguei-me na cama e me envolvi com as cobertas, dei uma ultima olhada pela janela que a tão pouco transpassava a luz do luar e que fora substituída por gotas descendo o vidro transparente pouco coberto pela cortina, fechei os olhos e naquela noite consegui dormir.
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