Toshi wa Yume
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[Naruto] A Bibliotecária Cap09

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1 [Naruto] A Bibliotecária Cap09 em Qui Ago 04, 2011 1:19 pm

Shiroyuki

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Morador Ancião


Capítulo 09 - Luto


Hinata passou a ponta dos dedos no rosto da irmã, novamente. Não havia calor algum ali, ou pelo menos era o que parecia. O rosto, sempre sorridente, estava descorado e sem vida. A expressão era dura demais para alguém que estava pulando e gritando há poucos dias atrás.

Alguns cortes superficiais rasgavam a pele clara em alguns lugares do rosto, mas Hinata sabia que havia feridas muito maiores e mais profundas em outras partes.
Suspirou, sem sentir o ar entrando ou saindo de seus pulmões.

Havia acabado de enterrar seu pai, a menos de uma semana atrás e hoje, ao chegar ao hospital, recebeu a notícia de que os médicos nada mais podiam fazer por Hanabi. Ela estava morrendo mais a cada segundo e Hinata tinha apenas duas opções. Desligar as máquinas agora e deixá-la descansar de uma só vez, ou esperar que ela morresse dentro de algumas horas. Ela não passaria de hoje, os médicos disseram. Eu sinto muito, eles falaram também. Hinata sentiu raiva, quente, fumegante, destrutiva, subindo pelo seu sangue, mas raiva de quem? Do que?

Os médicos não tinham culpa, a responsabilidade toda cabia a ela, e ninguém mais. Ela havia ido à festa, numa atitude impensada e egoísta, sem a permissão expressa do pai. Se ela tivesse pedido, ele certamente não a deixaria ir, mas não teria saído com pressa de casa para procurá-la, e não teria sofrido o acidente. Sim, a culpa era toda e inteiramente dela, e não havia nada mais a fazer.

Sem fazer ruído algum, Naruto esperava num canto do quarto. Aquela cena o fazia querer sair correndo, mas ele sabia que Hinata precisava dele, agora, mais do que nunca.

— Sayonara, Hanabi-chan – ela murmurou pela última vez, segurando com todas as forças as lágrimas que queria novamente aparecer. Ela se afastou da cama e abraçou Naruto, enterrando seu rosto no peito dele, deixando toda dor que queimava dentro dela agora extravasar. Ele retribuiu ao abraço, querendo do fundo do coração ser alguém mais forte, para ela. Conduziu-a para fora do quarto, acenando minimamente com a cabeça para a enfermeira que esperava pacientemente.

Levou-a para fora do hospital, até o carro onde seu pai estava esperando. Hinata continuou abraçada a Naruto, e não disse uma única palavra durante todo o caminho.




-




— E como ela está agora? – Mashiro indagou, preocupado. Mal conhecia a garota, nunca trocaram mais de duas palavras, mas ele não conseguia imaginar o tamanho da dor que ela sentia agora.

— Está dormindo – Naruto respondeu, com a voz, sempre animada e alta, praticamente irreconhecível.

— Nós podemos ajudar em algo? – Takagi indagou, ajeitando os óculos.

— Eu não sei, não consigo pensar em nada... ela não diz uma única palavra desde semana passada, quase não come... a mãe dela está vindo para o Japão esta semana, mas eu tenho medo... que ela leve Hinata para longe... — Naruto trazia pesadas olheiras abaixo dos olhos azuis, que agora pareciam sem brilho. Seus amigos haviam trazido os mangás em que eles estavam trabalhando, para que ele desse alguma opinião, como faziam sempre, mas Naruto mal conseguia terminar de ler qualquer um deles. Tudo o que passava na sua cabeça agora era Hinata e o que ela estivesse sentindo. Outra semana havia se passado depois do enterro de Hanabi, e Hinata estava em um estado deplorável, saindo do quarto apenas para comer, ou quando Naruto a empurrava porta afora para tomar um pouco de Sol. Ele não conseguia fazer muita coisa para ajudá-la, e essa incapacidade o fazia sentir-se inútil.

— Naruto-saan! – Niizuma levantou do sofá, olhando para cima, segurando uma pasta preta entre os braços – Hinata-san precisa de algum consolo! Vamos ajudá-la!

— Como?

— Com o poder do mangá!

— Certo Niizuma, não é hora pra isso – Takagi disse, suspirando. Niizuma já não estava mais ali, pulava na direção do quarto onde Hinata estava.
Mashiro, Takagi e Naruto o seguiram, após alguns minutos de perplexidade, sem saber ao certo o que esperar do ruivo. Na verdade, se tratando de Niizuma Eiji, era mais seguro não esperar nada. Naruto abriu a porta do quarto, ao ver a luz acesa. Não pode evitar a surpresa com a cena.

Hinata estava sentada no chão, com Niizuma, em frente à mesa baixa no centro do quarto. Eles estavam concentrados em algo, Hinata em silêncio e Eiji fazendo alguns sons estranhos enquanto mexia os braços. Alguns papéis estavam espalhados e ela tinha a bochecha suja de nanquim, e o cabelo amarrado em um coque no topo da cabeça, começava a se desmanchar..

— Ah! Naruto-kun – ela exclamou com a voz baixa e soprada – Niizuma-kun pediu que eu ajudasse com o seu mangá.

Naruto não sabia como se expressar. Depois de quase uma semana sem uma única palavra, Hinata agora estava desenhando, concentrada, e conversava com Eiji. Ela realmente gostava de ajudar, quem quer que fosse, e isso seria bom pra ela se animar um pouco, mas o loiro não podia evitar sentir uma ponta de ciúmes, afinal, queria ser ele a fazê-la se comunicar novamente, mas não havia espaço para o egoísmo dele nesse momento.

Sorriu minimamente, passando a mão no topo da cabeça de Hinata carinhosamente. Logo depois, Mashiro e Takagi se juntaram, desenhando e ajudando Hinata em alguns pontos. Naruto apenas observava, prestando atenção em cada pequeno gesto e expressão que ela apresentava, ainda que fossem sempre contidos. Seus olhos ainda demonstravam tristeza profunda, mas ao menos ela estava se distraindo com algo.

Ficaram desenhando por muito tempo, até ser tarde o bastante para os garotos lembrarem que tinham casa, e irem embora. Hinata continuou a desenhar, esquecendo do mundo a sua volta.

Ela tinha muita facilidade para isso, de fato.

— Naruto-kun... – ela disse depois de algum tempo, ainda olhando firme para o papel, com o lápis parado a meio caminho. Seus olhos brilhavam intensamente, voltando a ficar úmidos – está certo eu tentar me distrair dessa forma, e me esquecer d-deles?
Naruto sentou ao lado dela, passando seu braço ao redor do corpo trêmulo e gelado. Ela se aninhou ali, sentindo-se um pouco mais confortável.

— Eu tenho certeza de que eles iriam querer o melhor para você, em qualquer circunstância, e o melhor agora é tentar seguir em frente. Eu sei que as suas lembranças e a saudade jamais irão se apagar, mas você tem que fazer a dor que está sentindo agora se torne algo bom, e não algo que te prejudique. – ele dizia, passando lentamente a mão nos cabelos, soltando o coque malfeito – Ah! Quase ia esquecendo! Hoje, eu trouxe um presente para você da escola!

— Um presente?
Naruto se levantou, voltando após alguns segundo com uma embrulho de papel, com o emblema da escola. Hinata abriu, impaciente para ver do que se tratava, como uma criança em manhã de natal. Um sorriso, verdadeiro e puro, se abriu no rosto manchado de lágrimas. Ali dentro, livros novos e reluzentes pareciam sorrir de volta para ela.

— São os livros novos que chegaram essa semana na biblioteca. Achei que você iria gostar de lê-los, antes de qualquer um, ele nem foram catalogados ainda.

— Obrigada, Naruto-kun! – ela disse, abrindo o primeiro da pilha. Sem esperar nem mais um segundo, ela começou a devorar as palavras, com a sede de alguém perdido no deserto.
Naruto a observou lendo. Nunca havia de fato visto ela ler, já que sempre arrumava uma maneira de atrapalhar, mesmo que inconsciente. A maneira com que os olhos perolados movimentavam-se refletindo as palavras, e as pequenas expressões que ela fazia ao visualizar a história, a pequena ruguinha de curiosidade que se formava no meio da testa. Tudo nela dava em Naruto vontade de analisar, observar e decorar cada pequeno detalhe.

Sem notar, ele se inclinou por sobre a mesa, até chegar com o nariz a centímetros da capa do livro. Hinata nada percebeu absorta na leitura, e com o livro a frente do rosto. Poucos segundos depois, ela sentiu a proximidade, e baixou o livro. Sobressaltou-se, ao ver Naruto tão perto dela.

Ele continuou a fitá-la, se aproximando cada vez mais. Não conseguia se lembrar de qualquer coisa, tudo o que tinha em mente era o fato de Hinata estar sempre longe demais.

Ela estava confusa, com milhões de pensamentos invadindo-a, cada um em uma direção diferente. Estava certo estar dessa maneira logo após tudo o que havia acabado de acontecer? Seu coração martelava tão alto que ela tinha dificuldade de escutar a voz da razão. Fechou os olhos, imitando Naruto, e esperou. Ele se aproximou ainda mais, tocando a ponta de seu nariz com o dela, sentindo a tremer com o toque em seus braços.

A campainha tocou alta e sonora, ecoando nos pensamentos focados do garoto. Ele bufou de impaciência, segurando alguns palavrões que quase escaparam, e se levantou, sem vontade alguma. Hinata continuou imóvel, abrindo os olhos ao ouvir o som ritmado e irritante, e apenas suspirou pesadamente, voltando a atenção para o livro.

Naruto andou até a porta, abrindo-a. Uma mulher alta, de cabelos curtos e negros e olhos perolados muito familiares, esperava, com uma expressão abatida.

— Olá, você deve ser o Naruto, certo? Eu vim buscar a minha filha.










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